http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/norway/8664568/Norway-attacks-National-Front-member-suspended-for-defending-Anders-Behring-Breivik.html

Hoje, quando o assunto música está em pauta, o personagem principal da conversa parece ser, na verdade, a poesia. Pouco se fala ou se pensa sobre a música em sí, a música executada por instrumentos, desprovida de letra. Se hoje perguntamos a alguém qual a sua música preferida, a que mais lhe agrada ou a que houve no momento,  a resposta, invariavelmente, será alguma forma musical do universo da canção, e a preferência, se bem analisada, se mostrará muito mais atrelada à mensagem embutida na letra do que à sensação que a estrutura musical transmite. Isso vale  para os mais importantes escritores, artistas plásticos e até mesmo para muitos ditos músicos contemporâneos. Tanto que a mesma canção, com arranjos e ritmos diferentes costuma produzir os mesmos efeitos. Além disso, a idéia de “música” que permeia o inconsciente coletivo refere-se a uma obra que não deve durar mais do que uns 5 minutos, deve estar vinculada a um texto e possuir  uma estrutura ritmica clara e bem marcada, de preferência reforçada e evidenciada por um ou mais instrumentos de percussão . Que espaço sobra na nossa cultura para obras instrumentais que durem mais do que 15 minutos, tão comuns na literatura musical do ocidente ? Quantas pessoas hoje são capazes de se deleitar e depreender alguma emocão/sentido de uma obra deste tipo. A pensar, a ouvir…

Quem nunca passou por uma situação semelhante, que atire a primeira embalagem plástica.

Antes de começar a escrever este post tentei encontrar um sinônimo mais elegante para fofoca. Passados uns poucos minutos de busca, percebi que a genialidade da cena estava justamente no fato de que o roteirista, o diretor e  o ator conseguiram construir uma imagem profundamente poética e tocante a partir de um tema profundamente  vulgar e trivial.

Hoje to muito cansado sim mãe. Saí de lá tão aborrecido que nem comi nada. A senhora fez aquele jantar que eu pedi, né? Pois é, sei que eu podia ter comido um monte de sanduíches lá, mas hoje não deu. Briguei, me aborreci muito. Não, não foi com o gerente não, foi com cliente. Pô mãe, eu trabalho lá já faz um tempo. Aprendi tudo, faço tudo direito, rapidinho, não enrolo. Lembra quando a senhora foi lá, lembra?  Eu não trouxe o sanduíche que a senhora pediu bem rapidinho? Já fui funcionário do mês duas vezes. Ta bom sim mãe. Muito gostoso, obrigado. Quase não falto. Mas é só aparecer um cliente doido gritando, querendo esculachar pra cima da gente que o gerente fica logo do lado dele. Aí o sujeito briga na rua, no trabalho, em casa, saí puto, quero dizer chateado. Desculpe mãe, sei que a senhora não gosta que eu fale palavrão aqui dentro de casa, mas foi difícil segurar. E aí o sujeito sai chateado, querendo descontar em cima de alguém e corre pra loja de sanduíche. Parece aqueles jogos de dominó que um derruba o outro. To falando alto, mas não perdi o respeito. É claro que não vou descontar na senhora. Nesse dominó aí eu fui a última peça. Não quero passar essa doideira pra frente não.  Não, não foi com homem não, era uma mulher. Tá certo, a senhora pensou que era um homem, mas isso é só meu jeito de falar. Era uma mulher. Aí mesmo é que o gerente se sentiu o gostosão. Defendendo uma cliente, mulher.  Ela já chegou lá toda nervosa. Eu percebi na hora que ela cruzou a porta da lanchonete. Bufando, entrou na fila e toda hora batia o pé no chão de nervosa. Veio direto pro meu caixa. Quando chegou a vez dela, pediu aquele sanduíche de peixe que a senhora achou esquisito, o que menos sai. É claro que não tinha nenhum pronto. Tive que mandar fazer. E aí levava uns cinco minutos. Era a desculpa que ela queria pra começar a armar o barraco. Falou tanto mãe. Falava de um jeito metido. Parecia que tava fazendo uma pregação. Falava assim: “Uma demora dessas faz cair por terra qualquer conceito de fast food… Se eu quisesse esperar o tempo de um serviço a la carte eu teria ido a um restaurante… “. O que ela quis dizer com isso? Ah mãe, que o sanduíche tava demorando muito. Mas eu servi a batata e o refrigerante primeiro, pra ela ir se distraindo, como eles mandam. Aí é que ela veio pra cima de mim. “E esse sujeito ainda me serve o refrigerante e a batata primeiro… Pra que? Pra que um esquente e o outro esfrie enquanto eu fico aqui mofando” Aí o gerente é que veio pra cima de mim. Falou, falou e falou até não poder mais. Só pra mostrar à cliente que tava tomando uma providência. Mas não acabou aí não. Depois de comer, ela veio até o balcão, se apoiou e me disse “Mas eu ainda sou uma otimista, sou sim. Acredito que ainda vou ver um mundo onde homens como você serão coisa rara”. Vou te dizer mãe, isso ta aqui martelando na minha cabeça até agora. “…coisa rara”. Não consegui entender direito o que ela quis dizer com isso, mas coisa boa é que não foi. Isso que pus ali na mesa? Pois é, um livro. A desgraçada largou no balcão enquanto terminava de me esculachar. Tava tão doida que nem lembrou de pegar quando foi embora. Eu também fiquei tão bravo que só vi quando ela já tava longe. Amanhã levo de volta. Sabe lá se ela lembra e volta pra pegar? Agora vou pra cama mãe. To muito cansado, mas ainda quero ver que negócio é esse aqui antes de dormir. Boa noite. Mas que diabo de livro é esse? Nossa, o nome do cara é muito estranho, Niiiit. Ah, deixa pra lá, vamos direto ao que interessa. “Prefácio. Este livro pertence aos homens mais raros. Talvez nenhum deles sequer esteja vivo.”

Mais informações, aqui. Nessa mesma linha, o parlamentar alemão poderia ainda ter sugerido que uma parte da população grega vendesse os cabelos ou um de seus rins.

Conforme já mencionei em outro post,  um famoso pop star da filosofia francesa foi objeto de amplas críticas e zombarias por ter citado como uma fonte séria para legitimar sua crítica à pretensa castidade de Kant um texto  inventado por um jornalista do Canard Enchaine. “A Vida Sexual de Kant”, do autor fictício Jean-Philipe Botul, lançado em 1999, já havia causado embaraços não só a outros intelectuais como também a outras instituições. Segundo o site do Observatório da Imprensa, O Le monde Diplomatique publicou uma resenha sobre o controverso texto tratando-o como uma obra séria de filosofia. Em Portugal, o site da editora Cavalo de Ferro ainda anuncia a obra como um texto sério, que teve por tradutor um iminente jornalista. A revista Veja cometeu o mesmo deslize em 2001, quando do lançamento do livro por aqui, apresentando-o como obra séria (dois anos após a gafe do jornal francês!). Mas o que certamente mais chama a atenção na edição brasileira é a editora. Nada mais nada menos do que a prestigiosa UNESP ! Atualmente o site da UNESP apresenta obra como um texto satírico, o que dá a impressão de que a editora estava consciente do fato quando decidiu publica-la. Mas a reportagem do Observatório da Impressa somada a uma rápida análise das primeiras páginas do livro, disponíveis no google books, mostra que a editora UNESP também caiu no conto do Botul. A ficha catalográfica do livro não faz nenhuma menção ao caráter ficcional da obra nem do autor, Botul. Além disso, as palavras chaves sugeridas para índice de catálogo sistemático são : Filósofos Alemães ; Vida Sexual. Frederic Pages, o criador de Botul, insiste que a estória de um grupo de alemães fugindo de Königsberg para o Paraguai com o intuio de formar uma comunidade governada pelos princípios da filosofia kantiana, narrada no início do livro, já se constitui num indício suficientemente claro do caráter satírico da obra. Outros afirmam que para pesquisadores sérios, a heróica e breve biografia de Botul, citada no site dedicado a ele (que inclui casos Marie Bonaparte e Lou Andreas Salome, encontros com Zapata e Malraux), também deveria ter levantado suspeitas . Por que então esta farsa ludibriou profissionais tão prestigiosos do campo das letras, do jornalismo e da filosofia, quando nem era essa a intenção do verdadeiro autor ? O bom e velho Freud muito teorizou sobre o sexo como um dos maiores motivadores das nossas ações e  sua consequente importância para a formação da nossa psiche. Arrisco afirmar que obras falsas tratando da relação de Kant com as drogas, com a comida ou com o dinheiro logo teriam sido desmascaradas. Mas a tentadora visão do buraco da fechadura do quarto de Kant atingiu um ponto muito humano e  sensível, mesmo para espíritos considerados rígidos. Em tempos de Big Brother Brazil, seus juízos críticos foram anestesiados a tal ponto que nem conseguiram (ou talvez nem quiseram) perceber as pistas deixadas pelo verdadeiro autor, Frederic Pages. Em tempo, o mesmo Pages já havia publicado em 1997 outra obra no mesmo estilo, entitulada “Descartes e a maconha”, que não causou nenhum movimento notável nos meios cabíveis.

Apesar de tudo e mais um pouco do que já se sabe sobre os malefícios do tabaco, e que é tanto e tão divulgado que nem preciso citar aqui, a fumaça dos cigarros ainda frequenta, a meu ver, uma impressionante quantidade de pulmões relativamente jovens. Qual poderia ser o motivo de tamanha popularidade?

Depois de ter visto “Obrigado por fumar”, passei procurar o perverso vilão do sistema respiratório nos filmes que assisto. Cheguei a conclusão que este valente ator é profundamente injustiçado. Na esmagadora maioria dos filmes que as salas de cinema exibem hoje em dia, há pelo menos um momento no qual o destemido cigarrinho entra, pelo menos, como um importante coadjuvante. Isso para não falar dos casos, não raros, em que ele  chega a desempenhar um papel de primeira grandeza ao ser usado para acender poças de gasolina e buracos cheios de piche, que vão conduzir monstros antropoformizados ou seres humanos monstruosos aos seus merecidos destinos de luminosas tochas saltitantes. Chegamos ao final do filme, até os estagiários aparecem na longa listagem e o esforçado cigarro nunca é citado. Encontrei aqui um site que veio para reparar esta antiga injustiça.

Depois de ver o público disputando os caríssimos ingressos para os concertos da Marta Argerich com o Nelson Freire por aqui em 2003, fiquei me perguntando por que nenhum empresário conseguiu, até agora, trazer Maurizio Pollini, que certamente causaria um estardalhaço ainda maior. Encontrei a resposta para este e outros mistérios do mundo empresarial da música erudita aqui.

Se o homem é um produto da natureza, então um arranha-céu é um objeto tão natural quanto um cupinzeiro.

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